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segunda-feira, 23 de maio de 2011

capítulo 22

Penso no que o elefantinho me fala e resolvo ligar para a Carol. Sei que não é a melhor coisa do mundo ligar para a mulher que a gente ama estando bêbado, mas creio que não tenho muito mais a perder.
Levanto, começo a caminhar, pego o celular e ligo para ela... começa a chamar... ao longe escuto "Pictures of You" do The Cure saindo de alguma janela.
Ela atende:
- Oi.
- Oi. - digo eu, e me arrependo de ter ligado pois vejo que vou ficar mudo e sem saber o que dizer.
- Eu estava esperando tu me ligar.
Ela fala isso e eu penso que Deus existe e que ele se comunica comigo através de um gimmick dos anos 70, isso, ou a vodka que eu tomei me deu o maior barato.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

capítulo 21

Eu não acredito que o elefantinho da Shell tá falando comigo, realmente porre de vodka dá barato.
- É claro que eu ligaria para ela - e ele não para de falar - não perderia uma oportunidade dessas!
- Mas tu conhece a Carol?
- Não meu rapaz! - "meu rapaz"? quem é que fala assim hoje em dia - é só modo de falar. Eu só quero dizer que ligaria para a mulher que eu amo se ouvisse ela falar o que falou para você.
Já sei, a voz do elefantinho é a do Sérgio Chapelin!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

capítulo 20

Caminho sozinho pelas ruas na volta para casa. Carrego junto uma garrafa de vodka que peguei na festa. O celular no bolso me convida para uma ligação para a Carol, mas ao invés disso eu sento no meio fio e tomo mais um gole.
Resolvo beber para esquecer, ou para entender, ou até morrer... não sei mais o que pensar, só lembro de Carol na festa.
- Você devia ligar pra ela.
Levo um susto, olho para trás para ver quem falou e não acredito quando dou de cara com o Elefantinho da Shell e ainda por cima com o mesmo uniforme amarelo dos antigos comerciais de TV.
- Como? - Eu falo sem acreditar que estou respondendo para um desenho animado.
- Para a Carol! Você devia ligar e falar com ela. - A voz dele não me é estranha.
- Tem certeza? - não acredito que eu falei de novo com ele.
- Claro que tenho. - Essa voz, eu conheço, só não lembro bem de onde.
- E como eu você pode ter certeza?
- É o que eu faria. - ele senta ao meu lado.
- Você ligaria para a Carol?
Ele pega a garrafa de vodka da minha mão e toma um longo gole e limpa a boca com a manga do seu macacão amarelinho.
- Claro que sim